Na semana passada, Guga Noblat afirmou que a deputada Júlia Zanatta “pegou muito mal” ao levar sua filha ao plenário da Câmara. A acusação de que a parlamentar teria usado a criança como instrumento político gerou grande repercussão.
Contudo, internautas foram além. Resgataram um vídeo de 2022 em que o próprio jornalista aparece em manifestação, carregando o filho no colo. Naquele momento, sua atitude foi defendida por ele mesmo, sem críticas públicas. Ou seja, a régua parece mudar conforme a ocasião.
As redes sociais não perdoaram. Muitos apontaram hipocrisia ao comparar as duas situações semelhantes. Além disso, destacaram como a crítica de Noblat parece seletiva, focando mais na figura política envolvida do que no contexto real.
Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, o uso de imagens infantis em ambientes políticos exige cuidado. Ainda assim, é evidente que o debate ultrapassou a preocupação com o bem-estar da criança. Em vez disso, virou combustível para narrativas partidárias.
Portanto, antes de condenar ações alheias, é importante observar as próprias atitudes. A coerência é essencial, especialmente quando o tema envolve crianças. Afinal, a memória da internet é longa — e nada escapa ao olhar atento dos usuários.

